Vovô: Cadê ele? Já saiu do serviço?
Meu Pai: Já sim Chefe!
V: E cadê o cassetete?
P: Tá na escoteria...
Pronto. A partir dessa resposta, a rotina matinal de Seu José foi mudada.
O banho, o curativo, o café, a nebulização...
V: Aninha! Me leva lá na escoteria!
Aninha: Mas Vô... Pra quê?
V: Tem que pegar lá o cassetete pro seu pai voltar pro serviço.
A: Ué? Não é a hora do senhor não? (a gente acaba entrando nas histórias porque é mais divertido!)
V: (rindo) NÃO!!! ... Seu pai paga mais esse pra mim!
Depois de rodar por corredores, cozinha, varanda, calçada foi bem ali, ao lado do tanque que encontramos a escoteria:
V: Aqui!! Pega lá o cassetete!
A: Mas Vô... não tem...
V: Tem sim! Tá ali ó!
Minha mãe logo ao lado me entrega uma varinha de metal e eu passo pra ele...
V: Ah não! Isso é vara de pescar! O cassetete tá do lado!
Depois disso conseguimos mudar de assunto e o cassetete, a escoteria e meu pai tendo que pagar um serviço imaginário foram deixados de lado.
Mas hoje, um dia após a caça do cassetete:
A: Ainda bem que parou com aquela coisa da escoteria... (eu falando com minha mãe e tia no café, por trás do meu avô)
V: O quê? E o cassetete? Já pegaram? (ele e seu ouvido atento...)
A: Já vô...
E quando eu pensava que tudo ia começar de novo, ele ri com cara de que estava só me zoando...
Até que, antes de fazer a nebulização:
V: Aninha! Me arranja uma caneta!
Dou a caneta sem entender e ele ameaça escrever na toalha
A: Peraí Vô! Aqui um papel!
V: (rindo) Você pensa que eu ia escrever na toalha...
E, quando eu penso que o assunto era sério...
V: Agora diz aí um número!
A: Número?
V: É... O número do bicho... :)
Ah Vô... Só o senhor pra fazer uma manhã de terça parecer uma tarde de sábado...
Só o senhor pra achar que eu, em meus vinte e um anos, pareço uma menina de quatorze...
Só o senhor...
Pra transformar minha vida de estudante, estressada e complicada
No país das maravilhas da Alice!
